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50 anos de Rede Globo

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Há quem ame, há quem odeie; há quem despreze, há quem idolatre; há os que promovem, há os que boicotam, há os que defendem, há os que atacam. Só não há no Brasil, quem fique indiferente à rede Globo de televisão.

Só o fato de estar completando 50 anos de existência, já é razão para comoção. Afinal de contas, em um país com impostos acachapantes, burocracia emperrante e economia inconstante, qualquer empresa que ultrapasse a marca dos 5 anos de existência já é um fenômeno.

E a Globo não é uma empresa qualquer. A emissora que nasceu logo depois do golpe de 64, foi crescendo aos poucos e se tornou quase que um monopólio dos meios de comunicação. Por muitos anos, quase sem concorrência, a rede Globo reinou suprema nas televisões brasileiras.

Falando em golpe, a Globo já foi acusada por muitos de ter sido conivente com o regime militar e por isso mesmo ter recebido tantas benesses no período da ditadura nos anos 60 e 70. Essa é mais uma das inúmeras teorias da conspiração que envolvem a rede Globo.

Mas, para quem tem mais de 40 anos, não há como evitar uma ligação emocional com a Globo; até porque, praticamente não havia opções naquela época. Diversas gerações cresceram assistindo novelas da Globo, porque, com raras e honrosas exceções, as alternativas eram muito piores. Nos acostumamos a assistir as versões dubladas de sucessos de bilheteria do cinema Americano na Sessão da Tarde e Tela Quente, porque não tínhamos outra alternativa. E a Globo soube usar muito bem esses anos de domínio quase completo.

Mesmo hoje quando existem mais canais abertos e mais acesso à TV por assinatura, a Globo continua sendo a maior potência do Brasil em termos de comunicação. A Globo sempre investiu na massa, nas classes C e D, mais populosas no Brasil. Suas novelas, por exemplo, sempre foram formulaicas, xaroposas e popularescas; O Jornal Nacional, líder de audiência, é simples, direto e ultra-explicativo. A Globo nunca procurou fazer de seus carros-chefe programas de alto teor dramático, artístico, ou educativo; sempre apostou no óbvio, no descomplicado.

Outro fator que merece ser mencionado, é que ao longo de seus 50 anos, a Globo soube se reinventar muitas vezes. Mesmo hoje, com a ameaça dos canais por assinatura e da internet , a Globo continua se reformulando e investindo nesses mercados novos. Os programas do GNT e Globosat são bem melhores que os do canal aberto; mesmo o jornalismo que é tão criticado por alguns, tem muito mais qualidade na Globonews, do que no Jornal Nacional, por exemplo.

O jornalismo da Globo é um capítulo a parte. Da mesma forma, é amado por alguns e odiado por muitos. Há mesmo quem diga que o jornalismo da Globo tem sido capaz até de influenciar diretamente resultados de eleições, como aconteceu nos debates Collor x Lula, por exemplo. Atualmente a Globo e acusada de ser anti- PT e anti-Dilma , mas fica difícil fazer acusações desse tipo a uma emissora que tem programas de viés claramente de esquerda, tais como Esquenta, Saia Justa e Profissão Reporter. Até o Jô Soares andou defendendo a Dilma recentemente.

Difícil dizer se existe assim de fato essa influência toda. De toda forma, continuo achando que quando uma maior parcela da população tiver acesso à TV por assinatura, à maior variedade de opções, a tal “influência” malévola da rede Globo vai perder parte de seu poder. Não que tudo o que existe nos canais por assinatura seja de boa qualidade; mas tem-se mais liberdade de escolha.

Aqui nos Estados Unidos canal nenhum tem influência assim tão grande na opinião pública. E também não se tem nenhuma preocupação em esconder preferências politicas. A CNN é visivelmente democrata enquanto a Foxnews é claramente republicana; todo mundo sabe disso. Cada expectador assiste o canal que quiser e tira suas próprias conclusões. Assim é que deveria ser no Brasil também, na minha opinião.

Não sou nem dos que acham que a Globo é totalmente ruim e nem dos que a acham uma maravilha. Faço uso do livre arbítrio e da minha consciência, ambos atributos dados por Deus, para escolher o que vale a pena e o que deve ser desprezado. Acho perfeitamente possível encontrar boas opções na Globo; gosto muito do Manhattan Connection, Globo Repórter, Globo Ciência e Sarau, entre outros. Até mesmo o Programa do Jô, vale à pena, dependendo do convidado (muito embora o apresentador seja um chato de galocha, que fala mais de si, do que dos entrevistados).

De forma geral o cinquentenário da Globo é algo notável para uma empresa brasileira. A Globo virou sinônimo de qualidade técnica com o chamado “padrão Global” e angariou inúmeros prêmios importantes no mundo todo ao longo de seus 50 anos. Deveria ser motivo de orgulho para todos os brasileiros. O que não nos impede de continuar fazendo criticas, quando acharmos necessário. O direito da Globo escolher o que passa em sua rede de programação é diretamente proporcional ao nosso direito de mudar de canal quando não gostamos ou não aprovamos o que está na telinha.

Um abraço,

Leon Neto



CINEMÚSICA: Leon Neto é mestre em musicologia pela Universidade de Campbellsville e Doutorando em Pedagogia Vocal pela Universidade Shenandoah. Atualmente atua como professor no departamento de Louvor na Liberty University.
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