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Boicote no Oscar 2016

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Spike Lee gosta de uma polêmica. Vira e mexe ele inventa um motivo para soltar alguma frase de efeito e causar burburinho na imprensa internacional. Aliás, ultimamente só isso mesmo para chamar a atenção sobre si, já que faz tempo que ele não lança um filme de sucesso. Dessa vez inventou um tal boicote à cerimônia do Oscar 2016, marcada para fevereiro. Motivo: o fato de não haver nenhum ator ou diretor negro indicado para qualquer das categorias do prêmio. Logo em seguida, Jada Pinket Smith, outra que não anda aparecendo muito em produções importantes e mais conhecida como a mulher de Will Smith, se juntou à Spike Lee e disse que também não iria para a cerimônia do Oscar. Detalhe: a atual presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, é negra.

Eles argumentam que Will Smith pelo filme “Concussion” e Idris Elba pelo filme “Beasts of No Nation”, deveriam estar na lista de melhores atores. Pode até ser, mas premiações artísticas, sempre tem um grande teor de subjetividade; é impossível se chegar a um consenso na comparação de atuações distintas. Idris Elba, por sinal, está sendo cotado para viver no cinema o primeiro James Bond negro. Torço para que isso aconteça, não porque ele é negro, mas porque ele é um ótimo ator e poderia encarnar o papel com muita dignidade, carisma e propriedade.

O efeito colateral disso tudo é que de agora em diante todas as indicações de atores e diretores negros terá um grande ponto de interrogação sobre suas cabeças: será que foi por merecimento ou apenas por ser politicamente correto?

A atriz britânica Charlotte Rampling, já nos seus 70 anos de idade e indicada ao Oscar pela primeira vez na carreira, reagiu às declarações de Lee e Smith, dizendo que o boicote é um ato de “racismo contra os brancos”. Não iria tão longe, mas concordo com ela no sentido de que esse boicote é injusto. Achei a postura de Spike Lee e Jada Smith infantil e desnecessária, além de ser injusta com os indicados. Então eles não tem mérito nenhum? Só foram indicados porque não são negros?

Entendo a necessidade de se promover inclusão social e de se criar oportunidades para classes menos privilegiadas ou oprimidas. Mas o politicamente correto, não ajuda nada; pelo contrário, reforça os estereótipos e pereniza o preconceito. E nisso concordo com o grande ator Morgan Freeman, quando diz que somente quando pararmos de dar relevância à questão do racismo é que ele vai de fato desaparecer. O racismo existe porque é parte de nossa natureza pecaminosa; infelizmente sempre existirá porque o pecado sempre existirá nesse mundo que “jaz no maligno”. Nossa obrigação como Cristãos é de lutar contra o racismo e todas as formas de injustiça nesse mundo. Só acho que essa onda do “politicamente correto” mais atrapalha, que ajuda.

Hollywood tem sim tentado incluir minorias tanto no elenco como nos temas de suas produções nos últimos anos. Basta lembrar de filmes como “Precious”, “Ray”, “Selma” e atores como Halle Berry, Will Smith, Jamie Foxx e Viola Davis, entre outros. E se pensarmos bem, já existe um tácito sistema de “cotas” nos filmes americanos há um bom tempo. Pode observar que na maioria dos filmes “blockbusters”, eles sempre arrumam um jeito de colocar um ator negro, se não como protagonista, mas com algum destaque, e recentemente também alguma atriz em papel importante. O novo filme da franquia “Guerra nas Estrelas” é um bom exemplo disso.

Eu como brasileiro, faço parte de uma minoria aqui nos EUA, e ficaria profundamente ofendido e incomodado se a academia resolvesse criar uma “cota” só para artistas brasileiros ou hispanos. Isso diminuiria em muito o valor da premiação. Mas, não vou me surpreender nadinha se a turma do politicamente correto no Brasil entrar na campanha desse boicote e ainda tentar estender o protesto para as novelas e séries brasileiras. Em um país onde a maioria esmagadora da população tem em algum grau uma mistura de sangue negro, branco e indígena, seria algo no minimo pitoresco.

Um abraço,

Leon Neto



CINEMÚSICA: Leon Neto é mestre em musicologia pela Universidade de Campbellsville e Doutorando em Pedagogia Vocal pela Universidade Shenandoah. Atualmente atua como professor no departamento de Louvor na Liberty University.
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